A audiência sobre cidadania italiana proferida pela Corte de Cassação de Roma em 14 de abril de 2026 marcou um momento histórico para milhares de descendentes de italianos ao redor do mundo.

Durante a audiência realizada na suprema instância da justiça italiana, as Seções Unidas Civis analisaram questões centrais sobre a interpretação da Lei de 1912 e a aplicação retroativa do Decreto Tajani. Veja como foi este julgamento que pode redefinir os direitos de cidadania por descendência.
Como Começou a Audiência: Os Pontos em Debate
A sessão foi conduzida pelas Seções Unidas Civis da Corte e abordou duas questões complexas, registradas sob os números RG.18354/2024 e RG.18357/2024. O primeiro ponto central girou em torno da Lei de 1912, que regula a transmissão da cidadania italiana por descendência.
A discussão se concentrou em filhos menores que possuem dupla nacionalidade: são cidadãos italianos por jus sanguinis (direito de sangue) e, simultaneamente, cidadãos de outro país por jus soli (direito de solo, por nascimento em território estrangeiro). A grande questão era se esses menores perdem automaticamente a cidadania italiana caso um de seus pais se naturalize em outro país durante a menoridade.
Duas interpretações divergentes foram apresentadas durante a audiência:
- Artigo 7: Defende que quem já nasce no exterior com outra cidadania não perde a cidadania italiana, pois a dupla nacionalidade já existia desde o nascimento.
- Artigo 12: Trata de menores que não possuíam cidadania estrangeira e a adquiriram posteriormente, podendo perder a cidadania italiana se o pai se naturalizasse.
O Debate sobre o Decreto Tajani: Retroatividade em Questão
O segundo ponto crucial envolveu a retroatividade do Decreto Tajani, a nova lei de cidadania de 2025 que introduziu restrições severas ao reconhecimento da cidadania por descendência. A Corte analisou se essas novas limitações podem ser aplicadas a pessoas que nasceram antes da promulgação da lei ou a processos que já estavam em andamento.
Essa discussão é fundamental, pois define se a lei terá efeito retroativo, impactando direitos já estabelecidos, ou se valerá apenas para casos futuros. A validade constitucional do Decreto Tajani também será objeto de um julgamento separado na Corte Constitucional, agendado para 9 de junho de 2026.
Defesa dos Descendentes: Argumentos Apresentados
Durante a audiência, advogados especializados em direito de cidadania apresentaram argumentos robustos contra a aplicação retroativa do Decreto Tajani. A tese central defendida foi que o direito à cidadania italiana existe desde o nascimento e não pode ser revogado por legislação posterior.
Um dos momentos mais notáveis foi a posição favorável da Procuradoria-Geral, que se manifestou a favor dos argumentos dos recorrentes – os descendentes que buscam o reconhecimento da cidadania. Segundo especialistas presentes, a Procuradoria afirmou que todos os descendentes têm direito à cidadania desde o nascimento e que não podem perdê-la sem manifestação de vontade própria.
A defesa também solicitou à Corte que declare inconstitucional a norma que prevê a perda automática da cidadania para menores, argumentando que essa perda ocorre sem consentimento, ferindo princípios fundamentais do ordenamento jurídico italiano.
Impacto Estimado para Descendentes Brasileiros
Estima-se que mais de 500 mil brasileiros com ascendência italiana têm processos de reconhecimento de cidadania em andamento ou planejam iniciar. A sentença sobre cidadania italiana pode afetar diretamente:
- Aproximadamente 150 mil processos suspensos desde a promulgação do Decreto Tajani
- Descendentes que deram entrada em pedidos entre 28 de março e 14 de abril de 2026
- Famílias que aguardam decisão há mais de 2 anos
- Pessoas que podem ter seus direitos reconhecidos retroativamente
A sentença também estabelecerá jurisprudência vinculante para consulados brasileiros e tribunais italianos, padronizando a interpretação das regras de cidadania.
Cenários Possíveis Após a Sentença
Especialistas apontam três cenários prováveis para a decisão de junho de 2026:
- Cenário 1 – Vitória Total dos Descendentes: A Corte declara que o Decreto Tajani não pode ser aplicado retroativamente, beneficiando todos os processos em andamento.
- Cenário 2 – Vitória Parcial: A Corte reconhece o direito desde o nascimento, mas permite aplicação parcial do decreto para casos específicos.
- Cenário 3 – Encaminhamento à Corte Constitucional: A Corte de Cassação envia a questão à Corte Constitucional (9 de junho), adiando a decisão final por mais alguns meses.
Independentemente do resultado, a decisão será vinculante para toda a Itália e estabelecerá precedente importante para futuras interpretações da lei.
Próximas Etapas: Corte Constitucional em Junho
Com a audiência da Corte de Cassação concluída, a expectativa agora se volta para a publicação da sentença, que deve ocorrer em até dois meses, ou seja, por volta de junho de 2026.
Outra data crucial é 9 de junho de 2026, quando a Corte Constitucional analisará a validade do Decreto Tajani. Este julgamento abordará se a alteração das regras de cidadania poderia ter sido feita por decreto-lei, sem a urgência necessária, o que pode ter implicações significativas para todos os processos em andamento.
Esses dois julgamentos representam as últimas oportunidades, no curto prazo, para uma definição clara sobre as regras da cidadania italiana por descendência, moldando o futuro para milhares de pessoas que buscam suas raízes italianas.
Fontes: Revista Insieme (youtube)
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