Roma, 23 de março de 2026 – O resultado referendo justiça italiano confirma a vitória do “Não” com 54% dos votos válidos, rejeitando a reforma constitucional da magistratura conhecida como Riforma Nordio. Dados oficiais do Ministero dell’Interno, via portal Eligendo, registram afluência nacional de 58,9% – um recorde para pleitos confirmativos, sem exigência de quórum mínimo. O referendo, realizado nos dias 22 e 23 de março, mobilizou 51,4 milhões de eleitores na Itália e 5,4 milhões no exterior via AIRE (Anagrafe Italiani Residenti all’Estero).

A proposta, aprovada pelo Parlamento em outubro de 2025 e publicada na Gazzetta Ufficiale, alteraria artigos constitucionais como 104, 105 e 106.
Principais mudanças: separação definitiva de carreiras entre juízes (giudicanti) e promotores (pubblici ministeri), divisão do Consiglio Superiore della Magistratura (CSM) em dois órgãos e criação de uma Alta Corte Disciplinare com sorteios para indicações, em vez de eleições internas. Críticos viam risco à independência judicial; defensores, solução para escândalos como Palamara (2019).
A instant poll da YouTrend, divulgada pelo Il Sole 24 Ore e Sky TG24, previu “Não” em 51,5% (forquilha 49,5-53,5%), mas a apuração final ampliou a margem, conforme ANSA e Corriere della Sera. Afluência inicial: 14,9% às 12h do dia 22, saltando para 38,9% às 19h e 46% às 23h.
Divisão geográfica no resultado referendo justiça
O mapa revela clivagens regionais:
| Região | Afluência (%) | Voto Principal | Destaque |
|---|---|---|---|
| Emilia-Romagna | 66,7 | Não | Alta mobilização |
| Toscana | 66,3 | Não | Rejeição urbana |
| Lombardia | 63,8 | Sim (exceção) | Norte pró-governo |
| Veneto | 63,5 | Sim (exceção) | Norte pró-governo |
| Campânia | 50,4 | Não forte | Recorde Nápoles |
| Calábria | 48,4 | Não forte | Sul decisivo |
| Sicília | 46,1 | Não forte | Baixa afluência |
Norte mais engajado, Sul decisivo na rejeição. Capitais como Roma, Milão e Turim votaram massivamente “Não”.
Votos do Brasil: participação forte no AIRE
Brasileiros com cidadania italiana influenciaram via AIRE. Consulados em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro processaram milhares de plico elettorale. Dados preliminares do Consolato di San Paolo (maior circunscrizione no Brasil) indicam afluência de 52% entre 150 mil eleitores, com “Não” em 57% – acima da média nacional.
No Consolato di Porto Alegre, rejeição chegou a 60%, refletindo preocupações com independência judicial em processos de jus sanguinis. Total estimado: 80 mil votos brasileiros, reforçando o “Não” global do exterior (55% contra reforma).
Reação política ao resultado referendo justiça
Giorgia Meloni, coadjuvante no debate, afirmou: “O povo italiano decidiu. Respeitamos e prosseguimos com determinação pelo bem da nação”. Sem renúncia – já descartada pré-votação, foca continuidade. Ministro Nordio reconhece soberania popular. Oposição (PD, M5S) celebra “vitória da Constituição contra interferências políticas”.
Impacto prático para brasileiros e o que muda
Para 500 mil brasileiros com dupla cidadania, o resultado referendo justiça traz previsibilidade. Processos judiciais de cidadania (iure sanguinis), heranças e disputas familiares em tribunais como Roma e Ancona seguem sem reestruturações. Carreira unificada evita atrasos em transições; CSM eletivo preserva jurisprudência estável. Empresas brasileiras na Itália ganham com status quo em litígios comerciais.
UE monitora eficiência judicial (exigência para fundos PNRR), mas rejeição freia emendas constitucionais.
Conclusão: estabilidade reforçada
O resultado referendo justiça reafirma a Constituição de 1948, priorizando independência sobre reformas radicais. Para ítalo-brasileiros, é alívio em um sistema lento, mas conhecido. Mobilização alta sinaliza engajamento da diáspora.
Fontes: Gazeta do Povo / Il Sole 24 Ore / Ministero dell’Interno
Resumindo
- Não 54%: Reforma barrada, carreira unificada mantida.
- Brasil AIRE: 52-60% rejeição, 80 mil votos decisivos.
- Impacto: Estabilidade para cidadania/heranças brasileiras.
- Meloni: Respeita, sem crise.
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