Após mais de duas décadas de idas e vindas, negociações travadas e muita expectativa diplomática, o Acordo União Europeia Mercosul recebeu, finalmente, um “sinal verde” decisivo. Nesta sexta-feira (9/1), a maioria dos países do bloco europeu aprovou o tratado comercial, marcando um dia histórico para as relações internacionais e, especialmente, para quem vive entre as culturas brasileira e europeia.

Para a comunidade ítalo-brasileira e para os amantes da boa gastronomia, a notícia traz um sabor especial: a promessa de que produtos icônicos do Velho Continente fiquem mais acessíveis no Brasil.
O Que Muda na Prática?
A aprovação provisória não é apenas um aperto de mãos burocrático; ela tem reflexos diretos no bolso e na mesa. O tratado prevê a eliminação gradual de tarifas para uma vasta gama de produtos.
Para os brasileiros apaixonados pela Itália, isso significa que itens como azeites de oliva, queijos, vinhos e massas — que hoje chegam às prateleiras com preços elevados devido à carga tributária de importação — poderão ter seus custos reduzidos ao longo do tempo. É a possibilidade real de ter um Parmigiano Reggiano ou um vinho Chianti com preços mais competitivos no mercado nacional.
Do lado brasileiro, o agronegócio celebra. Carnes, frutas, grãos e o nosso café terão portas abertas em um mercado de 450 milhões de consumidores. Estima-se que as exportações da UE para o Mercosul cresçam cerca de 50 bilhões de euros até 2040, enquanto o fluxo inverso pode aumentar em 9 bilhões de euros.
A Resistência Francesa e o Apoio Alemão
Como em toda grande novela política, o capítulo final do Acordo União Europeia Mercosul teve seus antagonistas. A aprovação ocorreu apesar da forte oposição liderada pela França. O governo de Emmanuel Macron, pressionado por seus agricultores que temem a competição com os produtos sul-americanos, votou contra, acompanhado por Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria.
No entanto, o peso diplomático da Alemanha e da Espanha foi decisivo. O chanceler alemão celebrou o pacto como um marco de “soberania estratégica”, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, destacou a manutenção de um vínculo forte com a “região irmã” que é a América Latina. Para o presidente Lula, trata-se de um dia histórico para o multilateralismo, encerrando um ciclo de 25 anos de tentativas.
Próximos Passos: A Batalha no Parlamento
Embora o clima seja de vitória, a guerra diplomática ainda tem batalhas pendentes. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar o documento com os líderes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) nos próximos dias, possivelmente no Paraguai.
Contudo, para entrar em vigor definitivamente, o texto precisará do aval do Parlamento Europeu. É lá que a França promete concentrar suas energias para tentar barrar a implementação. A ministra da Agricultura francesa já avisou: “a batalha ainda não terminou”.
Para os ítalo-descendentes e cidadãos globais que torcem pela união desses dois mundos, o momento é de otimismo cauteloso. O Acordo União Europeia Mercosul nunca esteve tão perto de se tornar realidade, prometendo estreitar ainda mais os laços culturais e comerciais que unem o Brasil à Europa.
Fonte: BBC News Brasil
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