A história da origem de Roma começa com uma narrativa que mistura mito, religião e tradição: a de Rômulo e Remo. Esses irmãos gêmeos, filhos de um deus e de uma mortal, foram abandonados no rio Tibre e salvos de maneira inesperada por uma loba. Criados por um pastor, cresceram fortes, mas acabaram em conflito pelo local onde fundariam a cidade que mudaria a história.
Mais que uma simples lenda, essa história tornou-se um símbolo da identidade romana, atravessando séculos e permanecendo viva em monumentos, moedas e obras de arte.

Quem foram Rômulo e Remo?
Segundo a mitologia romana, os gêmeos eram filhos do deus Marte, símbolo da guerra, e de Reia Sílvia, uma vestal obrigada a manter voto de castidade. O rei Amúlio, temendo perder o trono, ordenou que os bebês fossem eliminados.
Lançados no Tibre, sobreviveram milagrosamente. A correnteza os levou até perto do monte Palatino, onde o destino de Roma começaria a se desenhar.
A lenda da loba capitolina
O episódio mais marcante da lenda é o encontro com a loba capitolina. Em vez de devorá-los, a loba amamentou e protegeu os gêmeos.
Depois, um pastor chamado Fáustulo e sua esposa Aca Larência acolheram os meninos e os criaram como filhos. Essa cena inspirou esculturas, moedas e pinturas, tornando-se um dos ícones mais conhecidos da mitologia romana.
A loba que amamenta os gêmeos tornou-se a mãe simbólica de Roma, lembrando que até os deuses cuidavam de seus fundadores.

“Diz-se que uma loba, atraída pelos gritos das crianças, ofereceu-lhes suas tetas, com tanta brandura que um pastor a encontrou cuidando deles como se fossem seus filhotes.” — Tito Lívio, Ab Urbe Condita, Livro I
O conflito entre os irmãos
Quando adultos, Rômulo e Remo decidiram fundar uma nova cidade. Mas discordaram sobre onde ela deveria ser construída:
- Rômulo defendia o Palatino.
- Remo prefere o Aventino.
O desentendimento se transformou em rivalidade mortal. Existem duas versões da história:
- Versão mais conhecida: Rômulo matou Remo após este zombar das muralhas que o irmão havia construído.
- Versão alternativa: Remo foi morto pelos seguidores de Rômulo durante a disputa.
De qualquer forma, a cidade nasceu com sangue. Em 21 de abril de 753 a.C., Rômulo se tornou o primeiro rei e deu o nome à cidade: Roma.

“Alguns dizem que Remo morreu simplesmente ao cair em meio à luta, mas a versão mais conhecida é a de que foi morto por seu próprio irmão, Rômulo, tomado de cólera.” — Plutarco, Vida de Rômulo
Descobertas arqueológicas: mito ou realidade?
A lenda ganhou ainda mais força quando, em 2007, arqueólogos anunciaram a descoberta de uma caverna sob o Monte Palatino, que muitos acreditam ser o Lupercal, local onde a loba teria cuidado dos irmãos.
Embora não haja provas definitivas, esse achado demonstra como o mito de Rômulo e Remo ainda desperta interesse e pode estar ligado a tradições reais da Roma Antiga.
O simbolismo de Rômulo e Remo
A história dos gêmeos tem um peso enorme na identidade de Roma:
- Destino divino: filhos de Marte, estavam ligados à glória militar.
- Resiliência: sobreviveram ao abandono e cresceram como líderes.
- Fundação sagrada: Roma nasceu sob proteção dos deuses.
- Poder e sacrifício: a morte de Remo mostra que até a origem exigiu luta.
Esse simbolismo foi fundamental para legitimar a autoridade dos romanos em sua própria narrativa histórica.
Rômulo e Remo na arte e na cultura
- A Loba Capitolina é a escultura mais famosa e está nos Museus Capitolinos, em Roma.
- Durante o Renascimento, artistas como Rubens e Caravaggio retrataram a cena dos gêmeos.
- A imagem dos irmãos aparece em moedas, brasões e selos, reforçando o orgulho romano.
- Até hoje, clubes esportivos italianos, como a AS Roma, usam a loba capitolina como símbolo.

Conclusão
A lenda de Rômulo e Remo é mais do que um mito: é a história que os próprios romanos contavam para explicar suas origens. Ela une deuses, destino e sangue na criação da cidade que se tornaria o coração do Império Romano.
Ainda hoje, a imagem da loba capitolina alimentando os gêmeos continua sendo um dos símbolos mais fortes da cultura romana.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre Rômulo e Remo
1. Quem foram Rômulo e Remo?
Rômulo e Remo são os gêmeos fundadores de Roma na tradição romana. Filhos do deus Marte e de Reia Sílvia, foram abandonados no rio Tibre, salvos por uma loba e criados por um pastor. Adultos, entraram em conflito ao escolher o local da cidade. Rômulo venceu, fundou Roma no Palatino e tornou-se seu primeiro rei.
2. Qual é a lenda da loba capitolina?
Segundo o mito, uma loba encontrou os bebês às margens do Tibre e amamentou os gêmeos até que o pastor Fáustulo (e sua esposa Aca Larência) os acolhesse. A cena virou símbolo de Roma, conhecida como Loba Capitolina, representando proteção divina, destino e a ideia de que a cidade nasceu sob cuidado dos deuses.
3. Onde Roma foi fundada e por que Remo morreu?
Roma foi fundada no Monte Palatino, em 21 de abril de 753 a.C. Há duas versões para a morte de Remo: a mais famosa diz que Rômulo o matou após Remo zombar de suas muralhas; outra afirma que seguidores de Rômulo o assassinaram durante a disputa. Ambas reforçam o tom trágico e sacrificial da fundação.
4. Existem versões diferentes nas fontes antigas?
Sim. Tito Lívio e Plutarco registram variações: disputa por auspícios (observação de aves), ordem dos presságios, quem efetivamente matou Remo e o motivo. Essas diferenças mostram como a lenda foi recontada por séculos, ajustando detalhes para explicar a autoridade de Roma e de suas instituições.
5. O que é o Lupercal? Há evidências arqueológicas?
O Lupercal seria a gruta sagrada associada à loba e ao rito de Lupercália. Em 2007, uma câmara subterrânea foi identificada sob o Palatino; alguns arqueólogos a relacionaram ao Lupercal, mas não há prova definitiva. Ainda assim, a descoberta mostra como mito, culto e topografia sagrada de Roma se entrelaçam.
6. Como a lenda foi usada na política de Roma Antiga?
A lenda legitimou a identidade e a autoridade de Roma. Em períodos como o de Augusto, imagens de Rômulo e da loba foram amplamente usadas para conectar o poder imperial às origens sagradas da cidade. Monumentos, moedas e cerimônias reforçavam a ideia de destino e missão civilizatória romanos.
7. A história tem paralelos com outros mitos?
Sim. A Antiguidade traz gêmeos fundadores ou heróis em várias tradições, como Cástor e Pólux no mundo greco-romano. Esses paralelos reforçam temas comuns: proteção divina, provações, rivalidade fraterna e fundação de comunidades. Em Roma, a versão de Rômulo e Remo se tornou a leitura oficial de suas origens.
8. Que símbolos de Rômulo e Remo aparecem hoje?
O mais famoso é a Loba Capitolina com os gêmeos, vista nos Museus Capitolinos e em réplicas mundo afora. A imagem está em moedas, brasões, selos e no esporte (ex.: AS Roma). Esses símbolos mantêm viva a memória cultural da lenda e aproximam o público moderno da mitologia romana.
Fontes e Referências
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