Compra de Casa na Itália Vira Pesadelo — O sonho de recomeçar a vida em um vilarejo histórico da Toscana transformou-se em um pesadelo financeiro e legal para dezenas de brasileiros.
A empresa Sonho.it, intermediária especializada em venda de imóveis italianos, atraiu clientes com uma promessa sedutora: casas baratas em pequenas cidades, reformadas integralmente com recursos do governo italiano, sem custo adicional para o comprador.

A realidade, porém, mostrou-se bem diferente. Investigações em andamento na Itália apontam suspeitas de fraude envolvendo a empresa, criada pelo brasileiro Douglas Roque em parceria com o italiano Alberto Da Lio.
Brasileiros que investiram suas economias e até aposentadorias em imóveis no município de Fabbriche di Vergemoli, na província de Lucca, agora enfrentam casas ainda em ruínas, promessas não cumpridas e o risco de serem cobrados pelo governo italiano por débitos de reforma.

O Programa que Não Funcionou
A estratégia da Sonho.it baseava-se no Superbonus 110, um programa de incentivo criado pelo governo italiano no período pós-pandemia.
O mecanismo permitia que proprietários reformassem imóveis históricos com créditos fiscais de até 110% do valor investido — teoricamente, uma oportunidade de ouro para revitalizar vilarejos abandonados.
Segundo relatos de clientes, a empresa prometia que as reformas seriam integralmente financiadas por esse programa, deixando o comprador apenas com a responsabilidade de adquirir o imóvel.
Muitos brasileiros, atraídos pela possibilidade de investir em um patrimônio europeu com risco mínimo, assinaram contratos e transferiram recursos.
Casas Continuam em Ruínas
Meses após as compras, as reformas não saíram do papel. As casas que deveriam ser transformadas em lares continuam em estado de abandono, com estruturas deterioradas e sem qualquer sinal de trabalho.
Além da frustração de ver o investimento parado, os compradores enfrentam uma situação ainda mais delicada: o governo italiano pode cobrar pelos débitos de reforma, mesmo que o trabalho nunca tenha sido realizado.
Depoimentos de brasileiros afetados revelam histórias de desespero. Uma aposentada relatou ter gasto toda sua reserva de aposentadoria na compra e agora enfrenta a possibilidade de dever dinheiro ao fisco italiano.
Outro comprador descreveu a situação como um “pesadelo” do qual não consegue sair.
Investigação em Andamento
As autoridades italianas iniciaram investigações sobre as práticas da Sonho.it. A empresa é acusada de não cumprir os compromissos assumidos e de possível má conduta na gestão dos recursos destinados às reformas.
Enquanto isso, os brasileiros afetados buscam orientação legal para recuperar seus investimentos ou, no mínimo, esclarecer suas responsabilidades perante o fisco italiano.
O Que Muda para Quem Quer Comprar casa na Itália
Este caso serve como alerta para brasileiros interessados em investir em imóveis italianos. Especialistas recomendam cautela ao lidar com intermediárias, especialmente aquelas que prometem ganhos fáceis ou reformas sem custo. É essencial:
- Verificar a reputação e o histórico da empresa intermediária
- Consultar advogados italianos independentes antes de assinar qualquer contrato
- Entender completamente os mecanismos de incentivo fiscal (como o Superbonus)
- Não confiar exclusivamente em promessas verbais ou em apresentações comerciais
A Toscana continua sendo uma região atrativa para investimentos imobiliários, mas a cautela é fundamental. O caso da Sonho.it demonstra que nem toda oportunidade que brilha é ouro.
Próximos Passos
Os brasileiros afetados aguardam o resultado das investigações italianas e buscam orientação legal para proteger seus direitos. Alguns já iniciaram processos judiciais contra a empresa.
A situação ressalta a importância de diligência prévia e de contar com profissionais qualificados ao investir em imóveis no exterior.
E você, conhece alguém que passou por uma experiência parecida ao comprar imóvel na Itália? Compartilhe sua história nos comentários — suas experiências ajudam outros brasileiros a tomar decisões mais seguras.
Fonte: Uol

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